Aline nasceu sem mobilidade, mas sua postura diante da vida a fez superar sua deficiência
A história de Alice Gonçalves Messias e Manoel Messias pode se confundir com a de muitos outros brasileiros. Ela nasceu em Dourado, Mato Grosso do Sul e ele, Ceará. Ambos chegaram em São Paulo com a esperança de traçar um destino diferente. Conheceram-se, se apaixonaram e casaram. Porém, o nascimento de sua primeira filha, deu um novo rumo a história do jovem casal.
Aline já era esperada muito antes de sua concepção. Dois cômodos erguidos na comunidade de Heliópolis e o sonho de constituir família os levaram a planejar a gravidez. E assim aconteceu. No dia 17 de dezembro de 1989, Alice não estava em condições de ter parto normal, mas mesmo assim, os médicos do Hospital do Servidor Público (Sepaco) esperaram pela dilatação, que não ocorreu.
Naquele dia, Alice não ouviu sua filha chorar, a demora no atendimento não deixou o oxigênio chegar ao cérebro de Aline, que teve sua coordenação motora afetada. “Ela nasceu bem pequena. A falta de oxigênio fez com que ela não chorasse”, lembra a mãe.
Depois de um mês na incubadora, a menina nasceu outra vez e o lugar escolhido pela família, para agradecer a primeira vitória de muitas outras, foi a igreja São José. A partir daí, os hospitais se tornaram rotina na vida do casal. Sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, tudo o que era possível, para a recuperação da filha. Além de tratamentos médicos, ela também recebia muito carinho dos amigos, que fez entre as idas e vindas das consultas e terapias. “Aos sábados, o ponto de encontro dos meus amigos era minha casa”, conta Aline.
As primeiras tentativas de caminhar, só aconteceram aos cinco anos e sua primeira crise de convulsão, também. Aos 12, passou por uma cirurgia, que deu mais movimento a uma de suas pernas e firmeza nos quadris. Após 90 dias com o pé engessado, em recuperação de uma segunda operação, Aline dançou em seu baile de debutante. “A festa de 15 anos da Aline foi uma vitória, todo mundo chorou”, conta Alice com os olhos cheios de lágrima.
Com apenas 19 anos, superando obstáculos em seu caminho como a falta de oxigênio e de mobilidade, Aline já amadureceu com as suas experiências. Há dez anos não tem convulsão, com a chegada de Matheus, passou a ser a irmã mais velha, trabalha, faz faculdade e conquista a todos por onde passa.
22 de setembro de 2009
5 de setembro de 2009
A luta continua...

Como se já não bastassem os mais de 300 anos da covarde escravidão imposta ao povo africano, ainda hoje, há quem se preste a tal atrocidade. Mas, contra estes que se acham acima da dignidade, do respeito e da própria humanidade, há ferramentas com as quais, temos o dever de lutar por um mundo mais justo. É o caso da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde o trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária.
Ou seja, essa emenda vem reafirmar a bestialidade por trás da escravidão e a tamanha pobreza de espírito, daqueles que se acham donos de outro ser humano. O primeiro passo já foi dado, a emenda já passou pelo Senado Federal e espera a aprovação da Câmera, agora cabe a nós, sociedade, lutar pela dignidade do povo brasileiro. Abaixo, segue o link para o abaixo-assinado a favor da PEC 438.
http://www.trabalhoescravo.org.br/abaixo-assinado/
4 de setembro de 2009
Indispensáveis, se fazem as palavras...
Importante, os verdadeiros sentimentos humanos...
Amor, revolta, esperança...
São muitos os elementos que nos faltam, muitas as dores que sobram...
Talvez a injustiça nunca seja explicada, talvez muitos tenham partido sem saber...
Restou apenas a certeza do que deve ser falado, sentido e vivido...
São tristes os caminhos por onde nos deparamos com expressões e vidas sofridas...
Meu Deus, porque tantas diferenças?
A vida de muitos se perdendo entre a inércia e o desespero...
Aqueles rostos nunca se apagarão da minha mente, o andar desesperado...
A busca de socorro, disfarçado de esmolas e miséria...
Resta apenas, um sentimento que ultrapassa o entender e se faz enxergar na eterna busca pela sobrevivência...
Rostos e olhares marcantes, a face de um Brasil esquecido, testemunhas do egoísmo e ganância, vítimas da completa estupidez humana.
Importante, os verdadeiros sentimentos humanos...
Amor, revolta, esperança...
São muitos os elementos que nos faltam, muitas as dores que sobram...
Talvez a injustiça nunca seja explicada, talvez muitos tenham partido sem saber...
Restou apenas a certeza do que deve ser falado, sentido e vivido...
São tristes os caminhos por onde nos deparamos com expressões e vidas sofridas...
Meu Deus, porque tantas diferenças?
A vida de muitos se perdendo entre a inércia e o desespero...
Aqueles rostos nunca se apagarão da minha mente, o andar desesperado...
A busca de socorro, disfarçado de esmolas e miséria...
Resta apenas, um sentimento que ultrapassa o entender e se faz enxergar na eterna busca pela sobrevivência...
Rostos e olhares marcantes, a face de um Brasil esquecido, testemunhas do egoísmo e ganância, vítimas da completa estupidez humana.
29 de agosto de 2009
Direito de ser criança
Políticas para erradicação do trabalho infantil precisam de maior acompanhamento
Direito à vida, à dignidade, ao respeito. O artigo 227º da Constituição Federal assegura esses e outros direitos às crianças brasileiras. Ele também diz, que o cumprimento dessas obrigações é de inteira responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. Outro artigo, o 7º, ainda reafirma o direito de ser criança e proíbe o trabalho de meninos e meninas com menos de 14 anos de idade.
Segundo pesquisa feita pelo IBGE, em 2007, o Brasil possui quase 38 bilhões de crianças e cerca de 89% delas, só estudam. Ou seja, são sustentadas pelas famílias e as outras 2,5 milhões são frutos da desigual distribuição de renda.
Em 1996, o governo Federal criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), como uma forma de ajudar financeiramente as famílias dessas crianças, que precisam trabalhar. Os país são cadastrados no programa e recebem uma verba mensal para manter os filhos na escola. Eles também precisam participar de grupos sócio-educativos, onde desenvolvem alguma atividade de geração de renda, para não perder a ajuda.
Porém, segundo a assistente social Isabel Cristina Candido, o governo não investe nesses grupos educativos. “Só o dinheiro não basta, é preciso investir no trabalho de conscientização e profissionalização dessas famílias”. Ela trabalha no Ciclo de Trabalhadores Cristãos da Vila Prudente, um dos centros de educação, que também não recebe nenhum tipo de ajuda governamental.
No Ciclo, que atende 12 famílias por ano, além dos cursos de geração de renda, as mães do Peti também assistem a filmes, palestras e participam de dinâmicas e rodas de conversas. Nesses bate-papos as assistentes sociais discutem a questão dos papéis invertidos dentro da família. “Nós fazemos esse trabalho de conversar com as mães do Peti, para que elas possam entender que o pai e a mãe são os provedores. A criança tem que estudar, do contrário, toda a fase da infância se perdera no trabalho”.
Isabel garante que, apesar do processo e resultado demorados, os programas de conscientização desenvolvidos pelo Ciclo, são eficazes e ajudam no combate ao trabalho infantil “Mais do que dinheiro, essas orientações dão uma perspectiva de futuro”, completa a assistente social.
Direito à vida, à dignidade, ao respeito. O artigo 227º da Constituição Federal assegura esses e outros direitos às crianças brasileiras. Ele também diz, que o cumprimento dessas obrigações é de inteira responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. Outro artigo, o 7º, ainda reafirma o direito de ser criança e proíbe o trabalho de meninos e meninas com menos de 14 anos de idade.
Segundo pesquisa feita pelo IBGE, em 2007, o Brasil possui quase 38 bilhões de crianças e cerca de 89% delas, só estudam. Ou seja, são sustentadas pelas famílias e as outras 2,5 milhões são frutos da desigual distribuição de renda.
Em 1996, o governo Federal criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), como uma forma de ajudar financeiramente as famílias dessas crianças, que precisam trabalhar. Os país são cadastrados no programa e recebem uma verba mensal para manter os filhos na escola. Eles também precisam participar de grupos sócio-educativos, onde desenvolvem alguma atividade de geração de renda, para não perder a ajuda.
Porém, segundo a assistente social Isabel Cristina Candido, o governo não investe nesses grupos educativos. “Só o dinheiro não basta, é preciso investir no trabalho de conscientização e profissionalização dessas famílias”. Ela trabalha no Ciclo de Trabalhadores Cristãos da Vila Prudente, um dos centros de educação, que também não recebe nenhum tipo de ajuda governamental.
No Ciclo, que atende 12 famílias por ano, além dos cursos de geração de renda, as mães do Peti também assistem a filmes, palestras e participam de dinâmicas e rodas de conversas. Nesses bate-papos as assistentes sociais discutem a questão dos papéis invertidos dentro da família. “Nós fazemos esse trabalho de conversar com as mães do Peti, para que elas possam entender que o pai e a mãe são os provedores. A criança tem que estudar, do contrário, toda a fase da infância se perdera no trabalho”.
Isabel garante que, apesar do processo e resultado demorados, os programas de conscientização desenvolvidos pelo Ciclo, são eficazes e ajudam no combate ao trabalho infantil “Mais do que dinheiro, essas orientações dão uma perspectiva de futuro”, completa a assistente social.
21 de agosto de 2009
1,2,3...rodando! Rodando, não...Ródando...

Há exatamente 20 anos, a geração paz e amor presenciou o calar de uma das vozes mais expressivas da chamada contracultura rebelde. Paradoxalmente, os jovens daquela época pediam paz, através dos gritos do rock and roll.
Assim também fazia Raulzito, apesar das críticas ao seu não engajamento, o baiano roqueiro cantou os sonhos daquela geração. Suas letras traduzem o espírito livre e despojado, ironizam as relações e atitudes da sociedade conservadora da época. Raul falou de amor, desigualdade, justiça, misticismo, religião...Viveu tudo em apenas sete notas!
Hoje, os gritos de liberdade ainda ecoam pela geração pós-Raul. Mesmo os fãs que nasceram após a morte do maluco beleza, vivem o sonho da Sociedade Alternativa. É impossível tentar racionalizar o que Raul trazia dentro de si. Como explicar a repulsa à inércia dos ditos cidadãos respeitáveis, que se sentavam nos tronos dos apartamentos, esperando a morte chegar? Ou então, a recusa de viver essa realidade e a vontade de pegar carona em algum disco voador e habitar o infinito e suas estrelas?
Não consigo explicar, o por que de minha identificação com letras, que foram escritas muitos anos antes de meu nascimento. Às vezes, a razão das palavras nos impede de explicar o que faz nosso coração bater mais forte. Por isso, fico por aqui!
13 de agosto de 2009
Se esse céu...se esse céu fosse meu!

Quem gosta de observar os astros, mas os verdadeiros, aqueles que esquentam nossos dias e iluminam nossas noites, vai ficar feliz em descobrir, que 2009 é o ano Internacional da Astronomia e vai vibrar mais ainda, quando saber que astrônomos do mundo inteiro reivindicam um céu noturno mais estrelado.
Todos eles lutam “em defesa de um céu noturno e pelo direito à luz das estrelas”. Para tanto, lançaram uma resolução na 27º Assembléia Geral da União Astronômica internacional, que se realiza até amanhã (14/08), no Rio de Janeiro. No texto, os astrônomos afirmam que “um céu noturno não poluído... deve ser considerado um direito sociocultural e ambiental fundamental.”
Receio, porém, que esses mesmos admiradores sentirão falta de algo ao descobrir, que se não fosse pela poluição luminosa, que estupidamente insistimos em conservar, poderíamos admirar cerca de duas mil estrelas.
Imaginem como seriam nossas noites? Mas infelizmente, nos contentamos em ver apenas 25 pontos de luz no céu. Irônico é descobrir que nossa galáxia, na Antiguidade, recebeu o nome de Via Láctea, justamente por parecer uma trilha de leite derramado no céu.
Conheça mais o céu...http://www.astronomia2009.org.br/
11 de agosto de 2009
Hoje
A dor e a desilusão fazem extinguir a essência da alma humana. O fio da esperança perde a forma e a utilidade, enquanto luta, para manter envolvidos os últimos suspiros da dignidade.
Como dizia Raul, é aceitável e humano vivermos nessa eterna metamorfose ambulante. Hoje confesso, que realmente o fio de esperança está perdendo sua utilidade, pelo meno para mim. Não posso prever até quando essa sensação dilacerante habitará minha alma, apenas peço perdão, por hoje, não acreditar na humanidade. Talvez daqui há alguns dias publique aqui, novamente, minhas crenças e esperanças num redescobrimento da verdadeira condição humana. Mas, por enquanto, registro aqui a silenciosa dor, que também corrói minha alma e existência. Nesse novo texto, não me proponho a falar com cada um de vocês, apenas me eximir da terrível culpa do ceticismo e do julgamento. Algumas coisas, simplesmente não fazem sentido, talvez nem mesmo essas palavras. Mas insisto na compreensão de vocês, meus amigos, pois realmente nada faz sentido!
Como dizia Raul, é aceitável e humano vivermos nessa eterna metamorfose ambulante. Hoje confesso, que realmente o fio de esperança está perdendo sua utilidade, pelo meno para mim. Não posso prever até quando essa sensação dilacerante habitará minha alma, apenas peço perdão, por hoje, não acreditar na humanidade. Talvez daqui há alguns dias publique aqui, novamente, minhas crenças e esperanças num redescobrimento da verdadeira condição humana. Mas, por enquanto, registro aqui a silenciosa dor, que também corrói minha alma e existência. Nesse novo texto, não me proponho a falar com cada um de vocês, apenas me eximir da terrível culpa do ceticismo e do julgamento. Algumas coisas, simplesmente não fazem sentido, talvez nem mesmo essas palavras. Mas insisto na compreensão de vocês, meus amigos, pois realmente nada faz sentido!
5 de agosto de 2009

Parece ser preciso reinventar o mundo, criar outras pessoas e plantar novos corações. Livrar os inocentes, que esquecidos em lugares remotos e inpensáveis pelos donos do poder, pagam a conta pelo egoismo disseminado pelos quatro cantos do planeta. Há realidades que se confundem com a ficção. Parecem saídas da cabeça de algum escritor de Hollywood e chegam até nos, sem despertar absolutamente nenhum sentimento.
Ao ler a entrevista do Dr. Mohamed Yusuf é impossível não se revoltar e, mais uma vez, se questionar sobre nosso papel no mundo. Yusuf é médico do Hospital Medina, um dos poucos que funcionam em Mogadício, Somália. Na entrevista do link abaixo, o médico conta um pouco da rotina do hospital e das condições desumanas em que vivem os somalis. Boa leitura e uma melhor reflexão!
http://www.icrc.org/web/por/sitepor0.nsf/html/somalia-interview-190509
" Ninguém jamais me compreenderia; gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado, correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão."
Jack Kerouac
Jack Kerouac
27 de julho de 2009
Pessoas de sempre
Em tardes assim, quando a chuva preenche o vazio do ar da grande metrópole e traz o delicioso cheiro da natureza, sinto que posso chegar aos céus e resgatar todas as lembranças que me trazem prazer. As estrelas, que parecem rasgar o negro céu de nossas relações e o mar que, além de acolher, encoraja sempre a ir mais fundo parecem fazer parte de mim. Viver tudo em uma só vida.
Posso sim dizer que já vivi muito. Esperanças e sonhos trocados. Quantos podem falar que já fizeram tal negócio? A verdadeira amizade nasce da certeza de nunca estar só, de poder ser você mesmo e ter fãs por causa disso. Dizer o que o coração transborda e não ser julgado. Quem sabe, apenas aconselhado?
Queridos amigos, também aos mais antigos e distantes, hoje faço uma confissão. Mesmo que o destino não me reserve grandes amores, me basta ter passado pela terra e conquistado grandes amigos. Basta-me ter sido importante e necessária. Compartilhado emoções e verdadeiros sentimentos, ser lembrada em grandes ideais e pequenas alegrias. Pois é assim que conquistamos nossa paz, combatendo essa eterna batalha, com o sonho nosso de cada dia.
Posso sim dizer que já vivi muito. Esperanças e sonhos trocados. Quantos podem falar que já fizeram tal negócio? A verdadeira amizade nasce da certeza de nunca estar só, de poder ser você mesmo e ter fãs por causa disso. Dizer o que o coração transborda e não ser julgado. Quem sabe, apenas aconselhado?
Queridos amigos, também aos mais antigos e distantes, hoje faço uma confissão. Mesmo que o destino não me reserve grandes amores, me basta ter passado pela terra e conquistado grandes amigos. Basta-me ter sido importante e necessária. Compartilhado emoções e verdadeiros sentimentos, ser lembrada em grandes ideais e pequenas alegrias. Pois é assim que conquistamos nossa paz, combatendo essa eterna batalha, com o sonho nosso de cada dia.
As palavras

Galera,
estava vaguando entre meus pensamentos e encontrei essas palavras, que teimaram em sair da minha mente para chegarem até vocês. Elas têm a pretensão de tentar extinguir o sentimento de solidão que brota de nossas relações e atingir a cada um de nós. Relutei em sentar e escreve-las, avisei que é batalha perdida, mas como podem ver, fui vencida pelo cansaço!Elas se juntaram, palavra por palavra e avisaram, nunca deixem sua atenção perdida por ai, sempre há alguém que precise dela. O mesmo com seus abraços e carinhos, há feridas que apenas eles podem curar. O sorriso então, nem se fala, quer coisa mais contagiante?Então, assim de supetão, as palavras gritaram: não esqueça dos amigos!!! Divida tudo o que puder com eles, problemas, angústias, ouvidos, alegrias, confidências, loucuras, instantes de silêncios, lágrimas. Assim mesmo, tudo misturado, os verdadeiros amigos não se importam com nossos momentos de lucidez.Num ato desesperado, elas tentam de todas as maneiras acreditar na humanidade. Buscam na mais pura essência, um sentido para os verbos, orações e conjunções, para que dêem também sentido às páginas, que a cada dia temos a chance de escrever de um jeito diferente. Confesso que elas são assim mesmo, meio pretensiosas, se gabam de tocar os corações mais duros, de arrancarem lágrimas dos sensíveis e traduzir toda a sensibilidade de seres iluminados, eles mesmos, os poetas. Nesse ponto, concordo com elas, quem já leu Mario Quintana, sabe do que estou falando.Garanto que essas palavras têm vida própria, assim, sem pedir licença pularam, uma por uma e se jogaram nesse texto, suplicando que cada um reveja o que tem feito para curar um coração, acabar com a solidão, arrancar um sorriso ou apenas dividir dores. Pois é pessoal, elas também me pegaram de surpresa, estava eu lá, mergulhada em minhas saudades e dores e esquecendo das milhares de vidas que a cada dia perdemos, das lágrimas que não enxugamos, do desabafo que não ouvimos, do desespero que não acalmamos e das palavras que não dizemos..
22 de julho de 2009
O oposto
É impressionante como a margem oposta da vida me seduz. A plena liberdade de ser e a eterna escolha de viver. A cada dia a vida mostra uma face diferente, todas tão encantadoras, que é quase impossível resistir aos caminhos opostos.
Alguns rostos, que encaro nas ruas, carregam em si uma serenidade e uma simplicidade envolventes, o vento e o cheiro do despojamento saciam meu ser, aguçam a vontade de me desprender e renovam minha essência. O andar lento e contemplativo faz os dias mais azuis e as pessoas mais humanas.
Ao contrário da visão convencional, as diferentes criaturas que povoam belos lugares, eternizados pela imaginação, alegram as batidas de um coração solitário. Cenas e palavras giram num círculo sem fim, se transformam em mantras que buscam paz e liberdade para a alma.
O próximo é mais do que mais um, é a fortaleza que nos sustenta, o mar que nos acalma, as estrelas que nos inebriam. É a mais pura expressão da natureza. Compartilhado com a solidão, nada vale a pena. São humanos os sentimentos, sonhos e desejos, por que não vivê-los?
Nada é inalcançável, tudo é permitido, o diferente é bem vindo. Os pensamentos solitários são convidados a existir e coexistir com outros, para enfim se materializarem. Que belas palavras nos reservam a alma humana? Como anseio por esse momento. Definitivamente vivo da utopia, enquanto respiro ares de uma outra realidade.
Alguns rostos, que encaro nas ruas, carregam em si uma serenidade e uma simplicidade envolventes, o vento e o cheiro do despojamento saciam meu ser, aguçam a vontade de me desprender e renovam minha essência. O andar lento e contemplativo faz os dias mais azuis e as pessoas mais humanas.
Ao contrário da visão convencional, as diferentes criaturas que povoam belos lugares, eternizados pela imaginação, alegram as batidas de um coração solitário. Cenas e palavras giram num círculo sem fim, se transformam em mantras que buscam paz e liberdade para a alma.
O próximo é mais do que mais um, é a fortaleza que nos sustenta, o mar que nos acalma, as estrelas que nos inebriam. É a mais pura expressão da natureza. Compartilhado com a solidão, nada vale a pena. São humanos os sentimentos, sonhos e desejos, por que não vivê-los?
Nada é inalcançável, tudo é permitido, o diferente é bem vindo. Os pensamentos solitários são convidados a existir e coexistir com outros, para enfim se materializarem. Que belas palavras nos reservam a alma humana? Como anseio por esse momento. Definitivamente vivo da utopia, enquanto respiro ares de uma outra realidade.
Ser Mineiro

Ser Mineiro é não dizer
o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe
aquilo que sabe
é falar pouco e escutar muito
é passar por bobo
e ser inteligente
é vender queijos
e possuir bancos.
Um bom Mineiro
não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranhos,
só acredita na fumaça
quando vê fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão
por dois voando.
Ser Mineiro é dizer "uai",
é ser diferente,
é ter marca registada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter
simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.
Ser Mineiro é ver o nascer do sol
e o brilhar da lua,
é ouvir o cantar dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.
Ser Mineiro é ser
religioso e conservador,
é cultivar as letras e as artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política,
é amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter a vida interior,
é ser gente
Autor desconhecido
o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe
aquilo que sabe
é falar pouco e escutar muito
é passar por bobo
e ser inteligente
é vender queijos
e possuir bancos.
Um bom Mineiro
não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranhos,
só acredita na fumaça
quando vê fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão
por dois voando.
Ser Mineiro é dizer "uai",
é ser diferente,
é ter marca registada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter
simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.
Ser Mineiro é ver o nascer do sol
e o brilhar da lua,
é ouvir o cantar dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.
Ser Mineiro é ser
religioso e conservador,
é cultivar as letras e as artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política,
é amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter a vida interior,
é ser gente
Autor desconhecido
15 de julho de 2009
O que fazer com as cenas que não são feitas à imagem e semelhança de Deus? Como concertar as imperfeições que deixamos pelo caminho, reparar injustiças que um dia aceitamos e amar as diferenças que não compreendemos?
Concluo, que são essas inquietações que não me deixam parar. Um dia desses, uma cena fez com que emergisse de meus solitários pensamentos: Duas mãos, uma delicada e ao mesmo tempo decidida, que apertava uma outra, pequena e indefesa. A primeira era de uma mãe, que num simples gesto denunciava todo o seu amor, a segunda era do filho, que crescerá com a certeza desse sentimento.
Foi impossível conter a lágrima que escorria e trazia consigo um eterno acreditar no amor. Bastou um pequeno gesto para entender a grandiosidade que há dentro de cada pessoa, apenas observando encontrei respostas e mais um motivo para continuar. É esse amor, que deveria ser a peça fundamental para mover a engrenagem e é sentindo que se vive.
Vida á qual todos tem direito, não importa se desse, ou do outro lado do mundo. Quando compreendidas todas as diferenças são belas. A cor da pele, a crença num ser maior, os sonhos e costumes. Mas muitas vezes, não enxergamos a única semelhança, que nos conduz a condição de ser humano: o desejo de alcançar a felicidade.
Poetas, autores e compositores anunciam em suas belas inspirações, essa ânsia por algo muito maior, não há como negar somos feitos para amar. Então por que tanta resistência? Até quando a intolerância guiará nossos atos? Quando deixaremos de ouvir a voz do poder, para escutarmos o choro de milhares de mães, que perdem seus filhos?
Concluo, que são essas inquietações que não me deixam parar. Um dia desses, uma cena fez com que emergisse de meus solitários pensamentos: Duas mãos, uma delicada e ao mesmo tempo decidida, que apertava uma outra, pequena e indefesa. A primeira era de uma mãe, que num simples gesto denunciava todo o seu amor, a segunda era do filho, que crescerá com a certeza desse sentimento.
Foi impossível conter a lágrima que escorria e trazia consigo um eterno acreditar no amor. Bastou um pequeno gesto para entender a grandiosidade que há dentro de cada pessoa, apenas observando encontrei respostas e mais um motivo para continuar. É esse amor, que deveria ser a peça fundamental para mover a engrenagem e é sentindo que se vive.
Vida á qual todos tem direito, não importa se desse, ou do outro lado do mundo. Quando compreendidas todas as diferenças são belas. A cor da pele, a crença num ser maior, os sonhos e costumes. Mas muitas vezes, não enxergamos a única semelhança, que nos conduz a condição de ser humano: o desejo de alcançar a felicidade.
Poetas, autores e compositores anunciam em suas belas inspirações, essa ânsia por algo muito maior, não há como negar somos feitos para amar. Então por que tanta resistência? Até quando a intolerância guiará nossos atos? Quando deixaremos de ouvir a voz do poder, para escutarmos o choro de milhares de mães, que perdem seus filhos?
11 de julho de 2009
" A absoluta simplicidade e despojamento da vida que o homem levava nos tempos primitivos tinham pelo menos a vantagem de deixá-lo ser hóspede da natureza. Quando se sentia retemperado pelo alimento ou pelo sono, tinha a estrada novamente diante de si. Morava neste mundo como se fosse numa tenda e estava sempre palmilhando vales, cruzando planícies, galgando cumes de montanhas. Mas vejam só! Os homens se transformaram nos instrumentos dos seus instrumentos. Aquele que ma maior liberdade apanhava os frutos nas árvores quando sentia fome, tornou-se agricultor; o que se deixava ficar debaixo de uma árvore por abrigo, virou caseiro. Não mais acampamos por uma noite, mas nos instalamos na terra esquecidos do céu"
Henry Thoreau
Henry Thoreau
8 de julho de 2009
Talese e suas pessoas
Observar a grama de um estádio de futebol e lembrar do responsável por mantê-la sempre bonita. Ir a uma luta de boxe e não prestar atenção nos lutadores e sim no juiz. Como entender essa sensibilidade que aflora dos textos de Gay Talese? Essa capacidade de desviar o olhar para a imensidão do céu e reconhecer cada estrela? Quem me responde é o próprio Talese. “Eu me interesso por pessoas, estou disposto a dedicar meu tempo a elas”.
Em entrevista, quase palestra, realizada no MASP (Museu de Artes de São Paulo) o percussor do chamado New Journalism falou de pessoas, sem as quais jamais teria tantas histórias para contar. Ao longo de mais de 50 anos de profissão, Talese transformou vidas em poesia. Mais que observadores, seus personagens fazem História.
O jornalista também falou de seus colegas de profissão, de maneira incisiva criticou a falta de compromisso com a verdade e o pouco envolvimento da imprensa com suas pautas e fontes. Mas Talese afirma, que sua fé no bom jornalismo continua intacta.
O que também continua igual é o estilo de vida do escritor, ele caminha pelas ruas do bairro onde mora, não usa internet e não tem celular. Conversa com todo mundo que chama sua atenção, seja um pedinte ou alguém que esteja numa fila de liquidação. Diria, que é um jornalista a moda antiga, daqueles que vivem o romantismo e cumprem o papel transformador da profissão.
Em entrevista, quase palestra, realizada no MASP (Museu de Artes de São Paulo) o percussor do chamado New Journalism falou de pessoas, sem as quais jamais teria tantas histórias para contar. Ao longo de mais de 50 anos de profissão, Talese transformou vidas em poesia. Mais que observadores, seus personagens fazem História.
O jornalista também falou de seus colegas de profissão, de maneira incisiva criticou a falta de compromisso com a verdade e o pouco envolvimento da imprensa com suas pautas e fontes. Mas Talese afirma, que sua fé no bom jornalismo continua intacta.
O que também continua igual é o estilo de vida do escritor, ele caminha pelas ruas do bairro onde mora, não usa internet e não tem celular. Conversa com todo mundo que chama sua atenção, seja um pedinte ou alguém que esteja numa fila de liquidação. Diria, que é um jornalista a moda antiga, daqueles que vivem o romantismo e cumprem o papel transformador da profissão.
6 de julho de 2009
3 de julho de 2009
Arte e Histórias
Os artesãos contam um pouco da história de suas vidas e da praça, além de falarem dos problemas que acompanham a feira desde o seu início
Peças de madeira, metal, couro. Artigos japoneses, indianos, africanos. Roupas de lã e barbante, imagens de santos em madeira, incensos, pedras e instrumentos musicais. Todo final de semana é a mesma coisa, alguns artesãos mostram um pouco de sua imaginação, através das mais diferentes formas de arte, na feira de Artesanato da Praça da República.
Um deles é Nilton Cardoso, que faz do lixo, sua principal matéria prima. Nas mãos do artesão lixeiro, espelhos quebrados formam mosaicos, que dão origem à notas musicais, sois e luas. Pequenas caixas de madeira ganham adereços um tanto quanto diferentes como, pregos e clipes enferrujados. Sua banca, mais parece um antiquário, pois o lixo dá às peças, um ar antigo.
Ele expõe na praça, há quatro anos e já tem um público que conhece e admira seus artigos, mas, seus fiéis compradores são os estrangeiros. “Os europeus gostam muito do trabalho de reciclagem. Eles não se importam com o preço”, diz o artesão. Todo o material utilizado pelo artista provém de doações de pessoas, que já conhecem seu trabalho.
Nilton também fala das dificuldades enfrentadas pelos artesãos, como por exemplo, as obras do metrô e a falta de segurança. “Depois do início das obras, o número de turistas diminui. Também houve uma fuga de alguns expositores”.
O artesão Antonio Marcio Gusmão também compartilha da mesma opinião. Para ele, a feira hoje, está descaracterizada, perdeu um pouco da essência inicial. “As bancas estão todas amontoadas, não temos espaço para mostrar nosso trabalho, além de ter muitos produtos industrializados”. Ele também cita o descaso por parte da prefeitura, como outro grande problema do local.
Antonio trabalha com pedras e minérios e praticamente viu a feira nascer. Há 42 anos veio com a família de Vitória da Conquista, no interior da Bahia e já, naquela época, acompanhava o pai na feira. Hoje, é ele quem fala com propriedade das pedras e suas características. “As pedras são extraídas dos
Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e até mesmo de São Paulo. Os minérios estão presentes em todo lugar”. Ele também diz, que seus produtos se caracterizam como artigo para colecionadores ou para estudos, para uma classe mais seleta.
Já, os pontos de crochê, que nas mãos da artesã Benedita Lurdes Silva, se transformam em toucas, boinas e bolsas, agradam a muita gente. Sentada atrás de sua banca, com as mãos ocupadas em mais uma de suas criações, ela declara a paixão pela feira e pelo trabalho com as lãs. “Eu amo isso aqui, é minha vida”.
Os percalços e dificuldades
Mas esta paixão de Benedita, já esteve ameaçada por diversas vezes. Ela fala, que para garantir o direito ao trabalho, já participou de inúmeras passeatas e reuniões com a ex-prefeita da cidade, Marta Suplicy. Tudo isso, por que em 1991, o prefeito Celso Pitta, proibiu os artesãos de exporem na República, e a única alternativa, foi montar uma feira paralela, do outro lado da praça.
Desde o começo, a feira sempre esteve sob o risco de extinção, não havia um órgão responsável pela administração e organização das barracas, eram os próprios trabalhadores que tentavam se organizar. Hoje, é a prefeitura quem cuida da admissão de novos artistas, que precisam provar que são os responsáveis pela criação das peças, assim dificulta a venda de produtos industrializados.
Outra questão que é concesso entre os artistas é a segurança. Com o crescimento desenfreado e não planejado da cidade, aumentou também o número de excluídos que habitam os arredores da praça. Para tentar resolver esse problema, eles contrataram uma empresa particular, que garante a segurança do local, enquanto a feira acontece.
Cinqüenta anos atrás
Muitas foram as contribuições para a formação da feira como a conhecemos hoje. Tudo começou, lá pelos meados dos anos 50. Um grupo de filatelistas, pessoas que colecionam selos e moedas, se encontrava na praça da República, para trocar informações e artigos.
Enquanto isso começa a surgir, nos Estados Unidos, o movimento hippie. Os jovens daquela época resolveram abandonar casa e família e formar saciedades alternativas, em protesto contra a guerra do Vietnã. Mais tarde, esta ideologia de paz e amor se espalharia pelo resto do mundo.
Na praça da República, essa expressão se deu através da arte e foram os bichos grilos, que abriram espaço para os mais de 560 artesãos, que hoje, compõem a feira. O artesão Cosme da Silva Ferreira é um dos seguidores dessa ideologia. Ele se considera um hippie, pois na juventude, também abandonou a família para protestar contra a guerra e viver da sua arte. “Os hippies nasceram para protestar, nós somos contra a guerra”, diz Cosme.
Peças de madeira, metal, couro. Artigos japoneses, indianos, africanos. Roupas de lã e barbante, imagens de santos em madeira, incensos, pedras e instrumentos musicais. Todo final de semana é a mesma coisa, alguns artesãos mostram um pouco de sua imaginação, através das mais diferentes formas de arte, na feira de Artesanato da Praça da República.
Um deles é Nilton Cardoso, que faz do lixo, sua principal matéria prima. Nas mãos do artesão lixeiro, espelhos quebrados formam mosaicos, que dão origem à notas musicais, sois e luas. Pequenas caixas de madeira ganham adereços um tanto quanto diferentes como, pregos e clipes enferrujados. Sua banca, mais parece um antiquário, pois o lixo dá às peças, um ar antigo.
Ele expõe na praça, há quatro anos e já tem um público que conhece e admira seus artigos, mas, seus fiéis compradores são os estrangeiros. “Os europeus gostam muito do trabalho de reciclagem. Eles não se importam com o preço”, diz o artesão. Todo o material utilizado pelo artista provém de doações de pessoas, que já conhecem seu trabalho.
Nilton também fala das dificuldades enfrentadas pelos artesãos, como por exemplo, as obras do metrô e a falta de segurança. “Depois do início das obras, o número de turistas diminui. Também houve uma fuga de alguns expositores”.
O artesão Antonio Marcio Gusmão também compartilha da mesma opinião. Para ele, a feira hoje, está descaracterizada, perdeu um pouco da essência inicial. “As bancas estão todas amontoadas, não temos espaço para mostrar nosso trabalho, além de ter muitos produtos industrializados”. Ele também cita o descaso por parte da prefeitura, como outro grande problema do local.
Antonio trabalha com pedras e minérios e praticamente viu a feira nascer. Há 42 anos veio com a família de Vitória da Conquista, no interior da Bahia e já, naquela época, acompanhava o pai na feira. Hoje, é ele quem fala com propriedade das pedras e suas características. “As pedras são extraídas dos
Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e até mesmo de São Paulo. Os minérios estão presentes em todo lugar”. Ele também diz, que seus produtos se caracterizam como artigo para colecionadores ou para estudos, para uma classe mais seleta.
Já, os pontos de crochê, que nas mãos da artesã Benedita Lurdes Silva, se transformam em toucas, boinas e bolsas, agradam a muita gente. Sentada atrás de sua banca, com as mãos ocupadas em mais uma de suas criações, ela declara a paixão pela feira e pelo trabalho com as lãs. “Eu amo isso aqui, é minha vida”.
Os percalços e dificuldades
Mas esta paixão de Benedita, já esteve ameaçada por diversas vezes. Ela fala, que para garantir o direito ao trabalho, já participou de inúmeras passeatas e reuniões com a ex-prefeita da cidade, Marta Suplicy. Tudo isso, por que em 1991, o prefeito Celso Pitta, proibiu os artesãos de exporem na República, e a única alternativa, foi montar uma feira paralela, do outro lado da praça.
Desde o começo, a feira sempre esteve sob o risco de extinção, não havia um órgão responsável pela administração e organização das barracas, eram os próprios trabalhadores que tentavam se organizar. Hoje, é a prefeitura quem cuida da admissão de novos artistas, que precisam provar que são os responsáveis pela criação das peças, assim dificulta a venda de produtos industrializados.
Outra questão que é concesso entre os artistas é a segurança. Com o crescimento desenfreado e não planejado da cidade, aumentou também o número de excluídos que habitam os arredores da praça. Para tentar resolver esse problema, eles contrataram uma empresa particular, que garante a segurança do local, enquanto a feira acontece.
Cinqüenta anos atrás
Muitas foram as contribuições para a formação da feira como a conhecemos hoje. Tudo começou, lá pelos meados dos anos 50. Um grupo de filatelistas, pessoas que colecionam selos e moedas, se encontrava na praça da República, para trocar informações e artigos.
Enquanto isso começa a surgir, nos Estados Unidos, o movimento hippie. Os jovens daquela época resolveram abandonar casa e família e formar saciedades alternativas, em protesto contra a guerra do Vietnã. Mais tarde, esta ideologia de paz e amor se espalharia pelo resto do mundo.
Na praça da República, essa expressão se deu através da arte e foram os bichos grilos, que abriram espaço para os mais de 560 artesãos, que hoje, compõem a feira. O artesão Cosme da Silva Ferreira é um dos seguidores dessa ideologia. Ele se considera um hippie, pois na juventude, também abandonou a família para protestar contra a guerra e viver da sua arte. “Os hippies nasceram para protestar, nós somos contra a guerra”, diz Cosme.
29 de junho de 2009
Contrastes e Esperanças
Muitos são os problemas do Continente Africano, além das guerras civis, da extrema miséria e da latente desigualdade, que parece dividi-lo em dois, paira também sobre ele a indiferença do resto do mundo. Tudo isso só faz aumentar a cota de injustiças contra essa terra. Porém, a pele escura e o brilho do sorriso, não é o único contraste que caracteriza esse admirável povo. A força e a coragem, frente às pedras e abismos impostos aos negros, a alegria estampada nas cores, nos cantos e nas crenças permeiam os fios de esperança na humanidade.
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