29 de agosto de 2009

Direito de ser criança

Políticas para erradicação do trabalho infantil precisam de maior acompanhamento

Direito à vida, à dignidade, ao respeito. O artigo 227º da Constituição Federal assegura esses e outros direitos às crianças brasileiras. Ele também diz, que o cumprimento dessas obrigações é de inteira responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. Outro artigo, o 7º, ainda reafirma o direito de ser criança e proíbe o trabalho de meninos e meninas com menos de 14 anos de idade.
Segundo pesquisa feita pelo IBGE, em 2007, o Brasil possui quase 38 bilhões de crianças e cerca de 89% delas, só estudam. Ou seja, são sustentadas pelas famílias e as outras 2,5 milhões são frutos da desigual distribuição de renda.
Em 1996, o governo Federal criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), como uma forma de ajudar financeiramente as famílias dessas crianças, que precisam trabalhar. Os país são cadastrados no programa e recebem uma verba mensal para manter os filhos na escola. Eles também precisam participar de grupos sócio-educativos, onde desenvolvem alguma atividade de geração de renda, para não perder a ajuda.
Porém, segundo a assistente social Isabel Cristina Candido, o governo não investe nesses grupos educativos. “Só o dinheiro não basta, é preciso investir no trabalho de conscientização e profissionalização dessas famílias”. Ela trabalha no Ciclo de Trabalhadores Cristãos da Vila Prudente, um dos centros de educação, que também não recebe nenhum tipo de ajuda governamental.
No Ciclo, que atende 12 famílias por ano, além dos cursos de geração de renda, as mães do Peti também assistem a filmes, palestras e participam de dinâmicas e rodas de conversas. Nesses bate-papos as assistentes sociais discutem a questão dos papéis invertidos dentro da família. “Nós fazemos esse trabalho de conversar com as mães do Peti, para que elas possam entender que o pai e a mãe são os provedores. A criança tem que estudar, do contrário, toda a fase da infância se perdera no trabalho”.
Isabel garante que, apesar do processo e resultado demorados, os programas de conscientização desenvolvidos pelo Ciclo, são eficazes e ajudam no combate ao trabalho infantil “Mais do que dinheiro, essas orientações dão uma perspectiva de futuro”, completa a assistente social.

21 de agosto de 2009

1,2,3...rodando! Rodando, não...Ródando...






Há exatamente 20 anos, a geração paz e amor presenciou o calar de uma das vozes mais expressivas da chamada contracultura rebelde. Paradoxalmente, os jovens daquela época pediam paz, através dos gritos do rock and roll.
Assim também fazia Raulzito, apesar das críticas ao seu não engajamento, o baiano roqueiro cantou os sonhos daquela geração. Suas letras traduzem o espírito livre e despojado, ironizam as relações e atitudes da sociedade conservadora da época. Raul falou de amor, desigualdade, justiça, misticismo, religião...Viveu tudo em apenas sete notas!
Hoje, os gritos de liberdade ainda ecoam pela geração pós-Raul. Mesmo os fãs que nasceram após a morte do maluco beleza, vivem o sonho da Sociedade Alternativa. É impossível tentar racionalizar o que Raul trazia dentro de si. Como explicar a repulsa à inércia dos ditos cidadãos respeitáveis, que se sentavam nos tronos dos apartamentos, esperando a morte chegar? Ou então, a recusa de viver essa realidade e a vontade de pegar carona em algum disco voador e habitar o infinito e suas estrelas?
Não consigo explicar, o por que de minha identificação com letras, que foram escritas muitos anos antes de meu nascimento. Às vezes, a razão das palavras nos impede de explicar o que faz nosso coração bater mais forte. Por isso, fico por aqui!

13 de agosto de 2009

Se esse céu...se esse céu fosse meu!













Quem gosta de observar os astros, mas os verdadeiros, aqueles que esquentam nossos dias e iluminam nossas noites, vai ficar feliz em descobrir, que 2009 é o ano Internacional da Astronomia e vai vibrar mais ainda, quando saber que astrônomos do mundo inteiro reivindicam um céu noturno mais estrelado.
Todos eles lutam “em defesa de um céu noturno e pelo direito à luz das estrelas”. Para tanto, lançaram uma resolução na 27º Assembléia Geral da União Astronômica internacional, que se realiza até amanhã (14/08), no Rio de Janeiro. No texto, os astrônomos afirmam que “um céu noturno não poluído... deve ser considerado um direito sociocultural e ambiental fundamental.”
Receio, porém, que esses mesmos admiradores sentirão falta de algo ao descobrir, que se não fosse pela poluição luminosa, que estupidamente insistimos em conservar, poderíamos admirar cerca de duas mil estrelas.
Imaginem como seriam nossas noites? Mas infelizmente, nos contentamos em ver apenas 25 pontos de luz no céu. Irônico é descobrir que nossa galáxia, na Antiguidade, recebeu o nome de Via Láctea, justamente por parecer uma trilha de leite derramado no céu.
Conheça mais o céu...http://www.astronomia2009.org.br/
"Nenhum homem é uma ilha isolada em si(...). A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. Por isso, não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti".
John Donne

11 de agosto de 2009

Hoje

A dor e a desilusão fazem extinguir a essência da alma humana. O fio da esperança perde a forma e a utilidade, enquanto luta, para manter envolvidos os últimos suspiros da dignidade.
Como dizia Raul, é aceitável e humano vivermos nessa eterna metamorfose ambulante. Hoje confesso, que realmente o fio de esperança está perdendo sua utilidade, pelo meno para mim. Não posso prever até quando essa sensação dilacerante habitará minha alma, apenas peço perdão, por hoje, não acreditar na humanidade. Talvez daqui há alguns dias publique aqui, novamente, minhas crenças e esperanças num redescobrimento da verdadeira condição humana. Mas, por enquanto, registro aqui a silenciosa dor, que também corrói minha alma e existência. Nesse novo texto, não me proponho a falar com cada um de vocês, apenas me eximir da terrível culpa do ceticismo e do julgamento. Algumas coisas, simplesmente não fazem sentido, talvez nem mesmo essas palavras. Mas insisto na compreensão de vocês, meus amigos, pois realmente nada faz sentido!

5 de agosto de 2009


Parece ser preciso reinventar o mundo, criar outras pessoas e plantar novos corações. Livrar os inocentes, que esquecidos em lugares remotos e inpensáveis pelos donos do poder, pagam a conta pelo egoismo disseminado pelos quatro cantos do planeta. Há realidades que se confundem com a ficção. Parecem saídas da cabeça de algum escritor de Hollywood e chegam até nos, sem despertar absolutamente nenhum sentimento.
Ao ler a entrevista do Dr. Mohamed Yusuf é impossível não se revoltar e, mais uma vez, se questionar sobre nosso papel no mundo. Yusuf é médico do Hospital Medina, um dos poucos que funcionam em Mogadício, Somália. Na entrevista do link abaixo, o médico conta um pouco da rotina do hospital e das condições desumanas em que vivem os somalis. Boa leitura e uma melhor reflexão!

http://www.icrc.org/web/por/sitepor0.nsf/html/somalia-interview-190509
" Ninguém jamais me compreenderia; gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado, correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão."
Jack Kerouac

27 de julho de 2009

Pessoas de sempre


Em tardes assim, quando a chuva preenche o vazio do ar da grande metrópole e traz o delicioso cheiro da natureza, sinto que posso chegar aos céus e resgatar todas as lembranças que me trazem prazer. As estrelas, que parecem rasgar o negro céu de nossas relações e o mar que, além de acolher, encoraja sempre a ir mais fundo parecem fazer parte de mim. Viver tudo em uma só vida.
Posso sim dizer que já vivi muito. Esperanças e sonhos trocados. Quantos podem falar que já fizeram tal negócio? A verdadeira amizade nasce da certeza de nunca estar só, de poder ser você mesmo e ter fãs por causa disso. Dizer o que o coração transborda e não ser julgado. Quem sabe, apenas aconselhado?
Queridos amigos, também aos mais antigos e distantes, hoje faço uma confissão. Mesmo que o destino não me reserve grandes amores, me basta ter passado pela terra e conquistado grandes amigos. Basta-me ter sido importante e necessária. Compartilhado emoções e verdadeiros sentimentos, ser lembrada em grandes ideais e pequenas alegrias. Pois é assim que conquistamos nossa paz, combatendo essa eterna batalha, com o sonho nosso de cada dia.

As palavras


Galera,
estava vaguando entre meus pensamentos e encontrei essas palavras, que teimaram em sair da minha mente para chegarem até vocês. Elas têm a pretensão de tentar extinguir o sentimento de solidão que brota de nossas relações e atingir a cada um de nós. Relutei em sentar e escreve-las, avisei que é batalha perdida, mas como podem ver, fui vencida pelo cansaço!Elas se juntaram, palavra por palavra e avisaram, nunca deixem sua atenção perdida por ai, sempre há alguém que precise dela. O mesmo com seus abraços e carinhos, há feridas que apenas eles podem curar. O sorriso então, nem se fala, quer coisa mais contagiante?Então, assim de supetão, as palavras gritaram: não esqueça dos amigos!!! Divida tudo o que puder com eles, problemas, angústias, ouvidos, alegrias, confidências, loucuras, instantes de silêncios, lágrimas. Assim mesmo, tudo misturado, os verdadeiros amigos não se importam com nossos momentos de lucidez.Num ato desesperado, elas tentam de todas as maneiras acreditar na humanidade. Buscam na mais pura essência, um sentido para os verbos, orações e conjunções, para que dêem também sentido às páginas, que a cada dia temos a chance de escrever de um jeito diferente. Confesso que elas são assim mesmo, meio pretensiosas, se gabam de tocar os corações mais duros, de arrancarem lágrimas dos sensíveis e traduzir toda a sensibilidade de seres iluminados, eles mesmos, os poetas. Nesse ponto, concordo com elas, quem já leu Mario Quintana, sabe do que estou falando.Garanto que essas palavras têm vida própria, assim, sem pedir licença pularam, uma por uma e se jogaram nesse texto, suplicando que cada um reveja o que tem feito para curar um coração, acabar com a solidão, arrancar um sorriso ou apenas dividir dores. Pois é pessoal, elas também me pegaram de surpresa, estava eu lá, mergulhada em minhas saudades e dores e esquecendo das milhares de vidas que a cada dia perdemos, das lágrimas que não enxugamos, do desabafo que não ouvimos, do desespero que não acalmamos e das palavras que não dizemos..

22 de julho de 2009

O oposto

É impressionante como a margem oposta da vida me seduz. A plena liberdade de ser e a eterna escolha de viver. A cada dia a vida mostra uma face diferente, todas tão encantadoras, que é quase impossível resistir aos caminhos opostos.
Alguns rostos, que encaro nas ruas, carregam em si uma serenidade e uma simplicidade envolventes, o vento e o cheiro do despojamento saciam meu ser, aguçam a vontade de me desprender e renovam minha essência. O andar lento e contemplativo faz os dias mais azuis e as pessoas mais humanas.
Ao contrário da visão convencional, as diferentes criaturas que povoam belos lugares, eternizados pela imaginação, alegram as batidas de um coração solitário. Cenas e palavras giram num círculo sem fim, se transformam em mantras que buscam paz e liberdade para a alma.
O próximo é mais do que mais um, é a fortaleza que nos sustenta, o mar que nos acalma, as estrelas que nos inebriam. É a mais pura expressão da natureza. Compartilhado com a solidão, nada vale a pena. São humanos os sentimentos, sonhos e desejos, por que não vivê-los?
Nada é inalcançável, tudo é permitido, o diferente é bem vindo. Os pensamentos solitários são convidados a existir e coexistir com outros, para enfim se materializarem. Que belas palavras nos reservam a alma humana? Como anseio por esse momento. Definitivamente vivo da utopia, enquanto respiro ares de uma outra realidade.

Ser Mineiro




Ser Mineiro é não dizer
o que faz, nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe
aquilo que sabe
é falar pouco e escutar muito
é passar por bobo
e ser inteligente
é vender queijos
e possuir bancos.
Um bom Mineiro
não laça boi com imbira,
não dá rasteira no vento,
não pisa no escuro,
não anda no molhado,
não estica conversa com estranhos,
só acredita na fumaça
quando vê fogo,
só arrisca quando tem certeza,
não troca um pássaro na mão
por dois voando.
Ser Mineiro é dizer "uai",
é ser diferente,
é ter marca registada,
é ter história.
Ser Mineiro é ter
simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.
Ser Mineiro é ver o nascer do sol
e o brilhar da lua,
é ouvir o cantar dos pássaros
e o mugir do gado,
é sentir o despertar do tempo
e o amanhecer da vida.
Ser Mineiro é ser
religioso e conservador,
é cultivar as letras e as artes,
é ser poeta e literato,
é gostar de política,
é amar a liberdade,
é viver nas montanhas,
é ter a vida interior,
é ser gente

Autor desconhecido

15 de julho de 2009

O que fazer com as cenas que não são feitas à imagem e semelhança de Deus? Como concertar as imperfeições que deixamos pelo caminho, reparar injustiças que um dia aceitamos e amar as diferenças que não compreendemos?
Concluo, que são essas inquietações que não me deixam parar. Um dia desses, uma cena fez com que emergisse de meus solitários pensamentos: Duas mãos, uma delicada e ao mesmo tempo decidida, que apertava uma outra, pequena e indefesa. A primeira era de uma mãe, que num simples gesto denunciava todo o seu amor, a segunda era do filho, que crescerá com a certeza desse sentimento.
Foi impossível conter a lágrima que escorria e trazia consigo um eterno acreditar no amor. Bastou um pequeno gesto para entender a grandiosidade que há dentro de cada pessoa, apenas observando encontrei respostas e mais um motivo para continuar. É esse amor, que deveria ser a peça fundamental para mover a engrenagem e é sentindo que se vive.
Vida á qual todos tem direito, não importa se desse, ou do outro lado do mundo. Quando compreendidas todas as diferenças são belas. A cor da pele, a crença num ser maior, os sonhos e costumes. Mas muitas vezes, não enxergamos a única semelhança, que nos conduz a condição de ser humano: o desejo de alcançar a felicidade.
Poetas, autores e compositores anunciam em suas belas inspirações, essa ânsia por algo muito maior, não há como negar somos feitos para amar. Então por que tanta resistência? Até quando a intolerância guiará nossos atos? Quando deixaremos de ouvir a voz do poder, para escutarmos o choro de milhares de mães, que perdem seus filhos?

11 de julho de 2009

" A absoluta simplicidade e despojamento da vida que o homem levava nos tempos primitivos tinham pelo menos a vantagem de deixá-lo ser hóspede da natureza. Quando se sentia retemperado pelo alimento ou pelo sono, tinha a estrada novamente diante de si. Morava neste mundo como se fosse numa tenda e estava sempre palmilhando vales, cruzando planícies, galgando cumes de montanhas. Mas vejam só! Os homens se transformaram nos instrumentos dos seus instrumentos. Aquele que ma maior liberdade apanhava os frutos nas árvores quando sentia fome, tornou-se agricultor; o que se deixava ficar debaixo de uma árvore por abrigo, virou caseiro. Não mais acampamos por uma noite, mas nos instalamos na terra esquecidos do céu"

Henry Thoreau

8 de julho de 2009

Talese e suas pessoas

Observar a grama de um estádio de futebol e lembrar do responsável por mantê-la sempre bonita. Ir a uma luta de boxe e não prestar atenção nos lutadores e sim no juiz. Como entender essa sensibilidade que aflora dos textos de Gay Talese? Essa capacidade de desviar o olhar para a imensidão do céu e reconhecer cada estrela? Quem me responde é o próprio Talese. “Eu me interesso por pessoas, estou disposto a dedicar meu tempo a elas”.
Em entrevista, quase palestra, realizada no MASP (Museu de Artes de São Paulo) o percussor do chamado New Journalism falou de pessoas, sem as quais jamais teria tantas histórias para contar. Ao longo de mais de 50 anos de profissão, Talese transformou vidas em poesia. Mais que observadores, seus personagens fazem História.
O jornalista também falou de seus colegas de profissão, de maneira incisiva criticou a falta de compromisso com a verdade e o pouco envolvimento da imprensa com suas pautas e fontes. Mas Talese afirma, que sua fé no bom jornalismo continua intacta.
O que também continua igual é o estilo de vida do escritor, ele caminha pelas ruas do bairro onde mora, não usa internet e não tem celular. Conversa com todo mundo que chama sua atenção, seja um pedinte ou alguém que esteja numa fila de liquidação. Diria, que é um jornalista a moda antiga, daqueles que vivem o romantismo e cumprem o papel transformador da profissão.

6 de julho de 2009

"Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e ol serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes."
Henry David Thoreau
.

3 de julho de 2009

Arte e Histórias

Os artesãos contam um pouco da história de suas vidas e da praça, além de falarem dos problemas que acompanham a feira desde o seu início

Peças de madeira, metal, couro. Artigos japoneses, indianos, africanos. Roupas de lã e barbante, imagens de santos em madeira, incensos, pedras e instrumentos musicais. Todo final de semana é a mesma coisa, alguns artesãos mostram um pouco de sua imaginação, através das mais diferentes formas de arte, na feira de Artesanato da Praça da República.
Um deles é Nilton Cardoso, que faz do lixo, sua principal matéria prima. Nas mãos do artesão lixeiro, espelhos quebrados formam mosaicos, que dão origem à notas musicais, sois e luas. Pequenas caixas de madeira ganham adereços um tanto quanto diferentes como, pregos e clipes enferrujados. Sua banca, mais parece um antiquário, pois o lixo dá às peças, um ar antigo.
Ele expõe na praça, há quatro anos e já tem um público que conhece e admira seus artigos, mas, seus fiéis compradores são os estrangeiros. “Os europeus gostam muito do trabalho de reciclagem. Eles não se importam com o preço”, diz o artesão. Todo o material utilizado pelo artista provém de doações de pessoas, que já conhecem seu trabalho.
Nilton também fala das dificuldades enfrentadas pelos artesãos, como por exemplo, as obras do metrô e a falta de segurança. “Depois do início das obras, o número de turistas diminui. Também houve uma fuga de alguns expositores”.
O artesão Antonio Marcio Gusmão também compartilha da mesma opinião. Para ele, a feira hoje, está descaracterizada, perdeu um pouco da essência inicial. “As bancas estão todas amontoadas, não temos espaço para mostrar nosso trabalho, além de ter muitos produtos industrializados”. Ele também cita o descaso por parte da prefeitura, como outro grande problema do local.
Antonio trabalha com pedras e minérios e praticamente viu a feira nascer. Há 42 anos veio com a família de Vitória da Conquista, no interior da Bahia e já, naquela época, acompanhava o pai na feira. Hoje, é ele quem fala com propriedade das pedras e suas características. “As pedras são extraídas dos
Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e até mesmo de São Paulo. Os minérios estão presentes em todo lugar”. Ele também diz, que seus produtos se caracterizam como artigo para colecionadores ou para estudos, para uma classe mais seleta.
Já, os pontos de crochê, que nas mãos da artesã Benedita Lurdes Silva, se transformam em toucas, boinas e bolsas, agradam a muita gente. Sentada atrás de sua banca, com as mãos ocupadas em mais uma de suas criações, ela declara a paixão pela feira e pelo trabalho com as lãs. “Eu amo isso aqui, é minha vida”.

Os percalços e dificuldades
Mas esta paixão de Benedita, já esteve ameaçada por diversas vezes. Ela fala, que para garantir o direito ao trabalho, já participou de inúmeras passeatas e reuniões com a ex-prefeita da cidade, Marta Suplicy. Tudo isso, por que em 1991, o prefeito Celso Pitta, proibiu os artesãos de exporem na República, e a única alternativa, foi montar uma feira paralela, do outro lado da praça.
Desde o começo, a feira sempre esteve sob o risco de extinção, não havia um órgão responsável pela administração e organização das barracas, eram os próprios trabalhadores que tentavam se organizar. Hoje, é a prefeitura quem cuida da admissão de novos artistas, que precisam provar que são os responsáveis pela criação das peças, assim dificulta a venda de produtos industrializados.
Outra questão que é concesso entre os artistas é a segurança. Com o crescimento desenfreado e não planejado da cidade, aumentou também o número de excluídos que habitam os arredores da praça. Para tentar resolver esse problema, eles contrataram uma empresa particular, que garante a segurança do local, enquanto a feira acontece.

Cinqüenta anos atrás
Muitas foram as contribuições para a formação da feira como a conhecemos hoje. Tudo começou, lá pelos meados dos anos 50. Um grupo de filatelistas, pessoas que colecionam selos e moedas, se encontrava na praça da República, para trocar informações e artigos.
Enquanto isso começa a surgir, nos Estados Unidos, o movimento hippie. Os jovens daquela época resolveram abandonar casa e família e formar saciedades alternativas, em protesto contra a guerra do Vietnã. Mais tarde, esta ideologia de paz e amor se espalharia pelo resto do mundo.
Na praça da República, essa expressão se deu através da arte e foram os bichos grilos, que abriram espaço para os mais de 560 artesãos, que hoje, compõem a feira. O artesão Cosme da Silva Ferreira é um dos seguidores dessa ideologia. Ele se considera um hippie, pois na juventude, também abandonou a família para protestar contra a guerra e viver da sua arte. “Os hippies nasceram para protestar, nós somos contra a guerra”, diz Cosme.

29 de junho de 2009

Contrastes e Esperanças

Muitos são os problemas do Continente Africano, além das guerras civis, da extrema miséria e da latente desigualdade, que parece dividi-lo em dois, paira também sobre ele a indiferença do resto do mundo. Tudo isso só faz aumentar a cota de injustiças contra essa terra. Porém, a pele escura e o brilho do sorriso, não é o único contraste que caracteriza esse admirável povo. A força e a coragem, frente às pedras e abismos impostos aos negros, a alegria estampada nas cores, nos cantos e nas crenças permeiam os fios de esperança na humanidade.

29 de maio de 2009

Os palhaços e nós

Três palhaços se apresentam pelas ruas da cidade e buscam despertar nas pessoas a verdadeira arte de sorrir


Presente no imaginário infantil o palhaço é um personagem lúdico, que faz das circunstâncias e contrariedades da vida, um motivo para sorrir. E, numa espécie de picadeiro ao ar livre, em frente ao Teatro Municipal, no Centro da cidade, três dessas criaturas se propõem a cumprir esse papel.
Anderson Machado, 23, era técnico em eletrônica e mecatrônica, Fernando Proença, 20, trabalhava com informática e Edson Neves, 23, era motoboy. Hoje, com maquiagem e nariz vermelho, eles prendem a atenção de crianças e adultos que se divertem com as histórias e situações vividas pelos palhaços.
Cada vez que os malabares vão ao chão, um estrondo de gargalhadas vem à tona. O som do acordeão dá mais vida e alegria ao show e o malabarismo das facas, sobre dois garotos da platéia é o momento de maior atenção do respeitável público, mesmo as facas sendo de mentira.
O grupo, Circo sem futuro, pois vivemos no presente, geralmente, se apresenta aos finais de semana, no centro ou em parques da cidade. Para Fernando a rua é o melhor lugar para aperfeiçoar a arte. “Se você consegue chamar a atenção das pessoas, que passam apressadas, será capaz de fazer uma boa apresentação em qualquer lugar”.
Já Anderson, gosta da diversidade de ideias que encontra nos lugares onde se apresenta. “Nas ruas, você tem contato com muitas pessoas, o nosso público vai de moradores de rua a empresários”. Os rapazes também trocam experiências com outros artistas, que encontram no Beco do Aprendiz, um espaço aberto para manifestações artísticas, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.
O grupo trabalha junto, há quase um ano, mas a paixão pela arte vem de muito tempo. Há 3 anos, Anderson largou seu emprego numa metalúrgica e desde então, se dedica a arte de rua. Mas nem só de piadas vivem os palhaços, eles também estudam e se esforçam ao máximo para aperfeiçoar seus números, além de contar com a inspiração do dia a dia.

23 de maio de 2009

Pequenas diferenças

Apenas um oceano, nada mais separa o Brasil das diversas Áfricas. São muitos os países, os dialetos, os costumes, as crenças, mas apenas uma nação. Um único povo, que carrega no sangue a vergonha de mais de 3 séculos de escravidão e o orgulho de firmar numa terra estranha raízes tão fortes, que já não se pode diferencia-las.
É nosso dever valorizar cada detalhe da cultura e da magia desse continente, berço da humanidade. Pagar uma dívida, que pertence a todos nós brasileiros. O que mais podemos fazer por eles? Eles, que já se tornaram nós! Essa miscigenação começou nas cozinhas das casas grandes, nas senzalas e nos quilombos.
Felizmente escravizamos apenas os corpos dos africanos, seus sentimentos e vontades mantiveram-se livres. Da indiferença do branco, fizeram um motivo para permanecerem negros, afirmando a identidade um continente inteiro.

1 de maio de 2009

Histórias versus Fronteiras


Sansakroma é um grupo contador de histórias, que ultrapassa todas as fronteiras e atravessa continentes, usando apenas a imaginação de seus ouvintes

Imagine um mundo onde toda história tivesse um final feliz e algo a nos ensinar, em que o doce som da flauta, em harmonia com os fortes acordes do violão, fizesse parte da trilha sonora de nossos aprendizados. Um lugar do sapo cantor, do cigano encantado e do africano que ama demais seu país para abandoná-lo. Não, esse mundo não existe apenas na minha imaginação, é possível vivê-lo em cada apresentação do Sansakroma.
Numa mistura de literatura, teatro, artes plásticas, dança, música e histórias, o projeto idealizado por Julio e Débora D’Zambê, leva alegria e magia a todas as crianças, não importa a idade. O próprio nome justifica essa missão, pois Sansakroma, é também o nome da ave africana que, na época do Apharteid protegia e abençoava os filhos dos refugiados.
Julio e Débora são pesquisadores da Cultura Popular e há seis anos procuram despertar a necessidade de uma reflexão por um mundo mais justo, com igualdade de oportunidades e respeito à todas as diferenças A banda nasceu do coral Cantos da Paz, extinto grupo que congregava refugiados e solicitantes de refúgio de diversos países africanos no Sesc do Carmo.
Desde então, o casal D’Zambê e os cantores africanos se propõem a disseminar uma cultura de paz e deixar o mundo mais colorido. “Queremos pegar as cores do arco-íris e coloca-las no coração de cada criança”, diz Débora.

Oitenta minutos para sonhar

Para sonhar é preciso ultrapassar fronteiras, por isso figuras tão brasileiras como Maria Bonita e um nordestino contador de histórias dividem o palco com cantos africanos e um índio que toca seu chocalho para a cigana dançar.
O Sansakroma reúne elementos culturais do Brasil, África e Cuba em suas apresentações. Aproxima lugares tão distantes geograficamente, mas com povos, costumes e culturas tão similares.O show começa sob o som da flauta que, nos lábios de Débora, arranca lágrimas de alguns espectadores e nas crianças, o efeito é de completo transe.
Enquanto isso, nas histórias de Julio, as mais mágicas criaturas ganham vida. Um sapo meio bicho-grilo adora seu violão e encanta a todos com suas canções, um pequeno cigano enfeitiçado, se torna grande por causa do amor e Romeu e Julieta vivem para contar sua história.
As fronteiras se tornam insignificantes diante de tantas manifestações culturais reunidas num só lugar. Até parece, que todos nos transportamos ao imaginário das crianças, onde só precisamos de 80 minutos e muita imaginação para percorrer o mundo.