21 de fevereiro de 2010

Futebol, Carnaval, Pão e Circo!













Que me desculpem os apaixonados por futebol, mas fazer manifestação para afastar um técnico e trazer outro é o fim da picada. Ainda mais, quando há tantos outros problemas e situações que realmente interferem no nosso cotidiano.
Enquanto a torcida organizada do Palmeiras protesta em frente ao Centro de Treinamento do time, a cidade está mergulhada nas enchentes da má adminstração pública, a prefeitura de São Paulo aumenta IPTU, tarifas dos transportes públicos e diminui a verba para a merenda de crianças carentes.
O que mais me revolta é o fato da grande mídia sempre dar destaque para esse tipo de reportagem, que só faz desviar nossa atenção das coisas que realemente importam. Abafar notícias como a campanha irregular do prefeito Gilberto Kassab e a compra de panetones do ex-governador José Roberto Arruda, com paredões, fazendas e Geysas. Como assim ninguém da a mínima?
Nunca entendi por que certas questões tão banais e fúteis interessam tanto a população em geral. Talvez seja o medo de enfrentar de frente os problemas, de enxergar o que levaram a vida inteira para esquecer. Medo de se incomodar demais com os problemas alheios e se verem obrigados a fazer algo para mudar.
Claro, não podemos esquecer da contribuição dos grandes veículos de comunicação, que vira e mexa exaltam aqueles que aceitam fazer parte do show de horrores que é a televisão brasileira. Alguém já tentou assistir a programação de sábado à noite ou domingo à tarde?

19 de fevereiro de 2010

Prestar atenção, ter paciência, esperar sua vez. Para que tanta espera se a vida não para? Leva consigo, pessoas, pensamentos, sentimentos, amores...Viver em busca de um futuro quando o presente está logo aí, não há sentido. Para alguns, resta apenas o passado.
O que mais a urgência nos tirará? Nesse jogo de futuro, presente e passado, fico com o presente. Deixo o amanhã para meus futuros sentimentos, pensamentos e amores, pois, quero cuidar dos que tenho agora.
Até mesmo a saudade se torna praserosa nessa eterna ânsia de viver, ela nos deixa mais sensíveis e humanos. Mais que dinheiro, fama e poder, para viver é preciso muita coragem. É preciso fazer as malas, ficar, sorrir, chorar, amar, esquecer...
Quero muito mais do que isso. Quero a liberdade e a simplicidade de existir, sentir o coração bater mais forte a cada passo e viver um grande amor todos os dias...

19 de janeiro de 2010

Quem sabe sonhadora?

Sempre achei a tarefa de escrever sobre mim um pouco difícil. Quase sempre, esbarro na questão de transpor para um pedaço de papel uma personalidade, que só consigo observar de dentro. Ou seja, tomo partido dos meus pensamentos, sentimentos e convicções sem observar toda a situação de fora.
Também seria injusto afirmar que não reflito sobre minhas ideias. Com a ajuda dos que me rodeiam (amigos), posso dizer que consigo perceber meus erros, pontos fracos e o quanto sou consciênte em algumas questões. Por exemplo, a ira diante das injustiças e futilidades desse mundo.
Na verdade, nunca gostei de falar sobre mim, quanto mais escrever. Às vezes, me pego pensando sobre meus medos e anseios e sempre descubro novas convicções e dúvidas a respeito da difícil relação humana. Mas a cada dia, busco conhecer e compreender essa máquina, tão complexa, que é o ser humano.
Não posso garantir que sempre chego a uma conclusão exata. Mas, nas indas e vindas dessa minha trajetória terrestre, sempre encontro um motivo, ou uma situação, para não me entregar, apesar dos incontáveis motivos para jogar a toalha.

25 de dezembro de 2009

África de todos nós














Dos meus sonhos, desejos, minhas tristezas e revoltas.
Das cores e dos cantos.
Do desespero, da esperança e do início de tudo.
Da opressão, do descaso e da resistência.
Da infinita fé e emocionante simplicidade.
Das peles negras, brancas e sorrisos luminosos.
Da inocência dos filhos e do amor dos pais.
Dos vários povos, crenças,tradições.
Da solidariedade diante do nada.
Da estonteante beleza que povoa suas paisagens.
Da vida que faz correr em minhas veias e da vontade de estar sempre tão próxima, mesmo que um oceano distante .

5 de dezembro de 2009

Em África, disse alguém, os mortos são negros e as armas são brancas. Seria difícil encontrar uma síntese mais perfeita da sucessão de desastres que foi e continua a ser, desde há séculos, a existência no continente africano. O lugar do mundo onde se crê que a humanidade nasceu não era certamente o paraíso terrestre quando os primeiros “descobridores” europeus ali desembarcaram (ao contrário do que diz o mito bíblico. Adão não foi expulso do éden, simplesmente nunca nele entrou), mas, com a chegada do homem branco abriram-se de par em par, para os negros, as portas do inferno. Essas portas continuam implacavelmente abertas, gerações e gerações de africanos têm sido lançados à fogueira perante a mal disfarçada indiferença ou a impudente cumplicidade da opinião pública mundial. Um milhão de negros mortos pela guerra, pela fome ou por doenças que poderiam ter sido curadas, pesará sempre na balança de qualquer país dominador e ocupará menos espaço nos noticiários que as quinze vítimas de um serial killer. Sabemos que o horror, em todas as suas manifestações, as mais cruéis, as mais atrozes e infames, varre e assombra todos os dias, como uma maldição, o nosso desgraçado planeta, mas África parece ter-se tornado no seu espaço preferido, no seu laboratório experimental, o lugar onde o horror mais à vontade se sente para cometer ofensas que julgaríamos inconcebíveis, como se as populações africanas tivessem sido assinaladas ao nascer com um destino de cobaias, sobre as quais, por definição, todas as violências seriam permitidas, todas as torturas justificadas, todos os crimes absolvidos. Contra o que ingenuamente muitos se obstinam em crer não haverá um tribunal de Deus ou da História para julgar as atrocidades cometidas por homens sobre outros homens. O futuro, sempre tão disponível para decretar essa modalidade de amnistia geral que é o esquecimento disfarçado de perdão, também é hábil em homologar, tácita ou explicitamente, quando tal convenha aos novos arranjos económicos, militares ou políticos, a impunidade por toda a vida aos autores directos e indirectos das mais monstruosas acções contra a carne e o espírito. É um erro entregar ao futuro o encargo de julgar os responsáveis pelo sofrimento das vítimas de agora, porque esse futuro não deixará de fazer também as suas vítimas e igualmente não resistirá à tentação de pospor para um outro futuro ainda mais longínquo o mirífico momento da justiça universal em que muitos de nós fingimos acreditar como a maneira mais fácil, e também a mais hipócrita, de eludir responsabilidades que só a nós nos cabem, a este presente que somos. Pode-se compreender que alguém se desculpe alegando: “Não sabia”, mas é inaceitável que digamos: “Prefiro não saber”. O funcionamento do mundo deixou de ser o completo mistério que foi, as alavancas do mal encontram-se à vista de todos, para as mãos que as manejam já não há luvas bastantes que lhes escondam as manchas de sangue. Deveria portanto ser fácil a qualquer um escolher entre o lado da verdade e o lado da mentira, entre o respeito humano e o desprezo pelo outro, entre os que são pela vida e os que estão contra ela. Infelizmente as coisas nem sempre se passam assim. O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses. Em tais casos não podemos desejar senão que a consciência nos venha sacudir urgentemente por um braço e nos pergunte à queima-roupa: “Aonde vais? Que fazes? Quem julgas tu que és?”. Uma insurreição das consciências livres é o que necessitaríamos. Será ainda possível?
(José Saramago)

30 de novembro de 2009

" A verdadeira função do homem é viver, não existir. Eu não gastarei meus dias tentando prolongá-los. Eu usarei meu tempo."
Jack London

12 de novembro de 2009

Diante dos sonhos a vida se mostra tão pequena, medíocre e sem graça. Enquanto alguns desejos arrebatam sentimentos e emoções e tomam para si toda a essência do ser e o fazem único, a urgência de viver tudo em apenas uma vida, causa certo incômodo e impaciência. Apesar da mesmice do cotidiano, das exigências sem importância e da anulação do ser humano, a alma ainda busca a liberdade.

12 de outubro de 2009

"Na escravidão, um carvoeiro tem espaço para um carinho no filho, um beijo na companheira. O escravo é um ser humano, mas ele deixa de ser tratado como humano e passa a ser visto como mercadoria. É fundamental gritar as denúncias, mas também gritar o belo dessas pessoas. Fotografar, para mim, é descobrir e reconhecer valores."

(João Roberto Ripper)

2 de outubro de 2009

Boa noite!

Poderia dormir, mas sei que não dormiria tão fácil assim. Enquanto a cabeça maturaria uma miríade de pensamentos, o corpo giraria, para lá e para cá. Ah sim! Há também as inumeras perguntas, que pertubariam minha tão merecida noite de sono. Vontade mesmo é de conversar, falar da alma e do coração, da difícil missão de entender a si mesmo e da eterna batalha para entender os outros.
Algumas coisas, não têm mesmo explicação. Certos sentimentos, que vêm e vão, algumas vontades que, hora se materializam, hora desaparecem. Uma coragem, que parece garantir os restos dos meus dias.
Mas afinal, o que estou fazendo? Escrevendo para as paredes? É estranho pensar, que mesmo com todo o silêncio dessa noite, há palavras que ninguém pode ouvir. Também, o que queria? Todos têm suas vidas e há momentos, em que a solidão é uma cama confortável que nos chama às reflexões da noite.
Psiu! Alguém aí?

23 de setembro de 2009

O ônibus









Do lado de fora, nem imaginava o que presenciaria dentro do ônibus. Enquanto eu passava pela catraca, vi um homem sentado no braço do primeiro banco. Ele tocava e cantava Metamorfose Ambulante, uma das canções mais emblemáticas do Maluco Beleza. Impossível foi conter o sorriso e a vontade de cantar e, para aumentar minha alegria, outras pessoas também cantavam e sorriam.
Lá fora, a mesma rotina corria pela Avenida Paes de Barros, mas dentro do ônibus a inesperada atitude daquele homem suscitou questões sobre nossa realidade. Por que também não fazer o mesmo? Por que devemos sempre, nos comportar como esperam as pessoas? Por que não surpreendê-las? Sempre admirei quem não tem vergonha de viver, como aquele homem, que por apenas copiar as canções, não se considera um músico profissional. Mas para mim, ele se revelou um original ser humano.
É impressionante como, às vezes, um simples ato pode carregar tantos significados. Naquela noite, as notas do velho violão reafirmaram minha grande paixão pela música e me mostraram uma face da vida, que já havia esquecido. Oxalá, que encontrasse mais pessoas como esse desconhecido. Pena, que logo o homem desceu, levou consigo seu violão e sua música. No ônibus, fiquei eu com minhas reflexões e o mesmo tagarelar das mesmas velhas pessoas.

22 de setembro de 2009

A menina que transgride a imobilidade

Aline nasceu sem mobilidade, mas sua postura diante da vida a fez superar sua deficiência



A história de Alice Gonçalves Messias e Manoel Messias pode se confundir com a de muitos outros brasileiros. Ela nasceu em Dourado, Mato Grosso do Sul e ele, Ceará. Ambos chegaram em São Paulo com a esperança de traçar um destino diferente. Conheceram-se, se apaixonaram e casaram. Porém, o nascimento de sua primeira filha, deu um novo rumo a história do jovem casal.
Aline já era esperada muito antes de sua concepção. Dois cômodos erguidos na comunidade de Heliópolis e o sonho de constituir família os levaram a planejar a gravidez. E assim aconteceu. No dia 17 de dezembro de 1989, Alice não estava em condições de ter parto normal, mas mesmo assim, os médicos do Hospital do Servidor Público (Sepaco) esperaram pela dilatação, que não ocorreu.
Naquele dia, Alice não ouviu sua filha chorar, a demora no atendimento não deixou o oxigênio chegar ao cérebro de Aline, que teve sua coordenação motora afetada. “Ela nasceu bem pequena. A falta de oxigênio fez com que ela não chorasse”, lembra a mãe.
Depois de um mês na incubadora, a menina nasceu outra vez e o lugar escolhido pela família, para agradecer a primeira vitória de muitas outras, foi a igreja São José. A partir daí, os hospitais se tornaram rotina na vida do casal. Sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, tudo o que era possível, para a recuperação da filha. Além de tratamentos médicos, ela também recebia muito carinho dos amigos, que fez entre as idas e vindas das consultas e terapias. “Aos sábados, o ponto de encontro dos meus amigos era minha casa”, conta Aline.
As primeiras tentativas de caminhar, só aconteceram aos cinco anos e sua primeira crise de convulsão, também. Aos 12, passou por uma cirurgia, que deu mais movimento a uma de suas pernas e firmeza nos quadris. Após 90 dias com o pé engessado, em recuperação de uma segunda operação, Aline dançou em seu baile de debutante. “A festa de 15 anos da Aline foi uma vitória, todo mundo chorou”, conta Alice com os olhos cheios de lágrima.
Com apenas 19 anos, superando obstáculos em seu caminho como a falta de oxigênio e de mobilidade, Aline já amadureceu com as suas experiências. Há dez anos não tem convulsão, com a chegada de Matheus, passou a ser a irmã mais velha, trabalha, faz faculdade e conquista a todos por onde passa.

5 de setembro de 2009

A luta continua...







Como se já não bastassem os mais de 300 anos da covarde escravidão imposta ao povo africano, ainda hoje, há quem se preste a tal atrocidade. Mas, contra estes que se acham acima da dignidade, do respeito e da própria humanidade, há ferramentas com as quais, temos o dever de lutar por um mundo mais justo. É o caso da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde o trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária.
Ou seja, essa emenda vem reafirmar a bestialidade por trás da escravidão e a tamanha pobreza de espírito, daqueles que se acham donos de outro ser humano. O primeiro passo já foi dado, a emenda já passou pelo Senado Federal e espera a aprovação da Câmera, agora cabe a nós, sociedade, lutar pela dignidade do povo brasileiro. Abaixo, segue o link para o abaixo-assinado a favor da PEC 438.


http://www.trabalhoescravo.org.br/abaixo-assinado/

4 de setembro de 2009

Indispensáveis, se fazem as palavras...
Importante, os verdadeiros sentimentos humanos...
Amor, revolta, esperança...
São muitos os elementos que nos faltam, muitas as dores que sobram...
Talvez a injustiça nunca seja explicada, talvez muitos tenham partido sem saber...
Restou apenas a certeza do que deve ser falado, sentido e vivido...
São tristes os caminhos por onde nos deparamos com expressões e vidas sofridas...
Meu Deus, porque tantas diferenças?
A vida de muitos se perdendo entre a inércia e o desespero...
Aqueles rostos nunca se apagarão da minha mente, o andar desesperado...
A busca de socorro, disfarçado de esmolas e miséria...
Resta apenas, um sentimento que ultrapassa o entender e se faz enxergar na eterna busca pela sobrevivência...
Rostos e olhares marcantes, a face de um Brasil esquecido, testemunhas do egoísmo e ganância, vítimas da completa estupidez humana.

29 de agosto de 2009

Direito de ser criança

Políticas para erradicação do trabalho infantil precisam de maior acompanhamento

Direito à vida, à dignidade, ao respeito. O artigo 227º da Constituição Federal assegura esses e outros direitos às crianças brasileiras. Ele também diz, que o cumprimento dessas obrigações é de inteira responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. Outro artigo, o 7º, ainda reafirma o direito de ser criança e proíbe o trabalho de meninos e meninas com menos de 14 anos de idade.
Segundo pesquisa feita pelo IBGE, em 2007, o Brasil possui quase 38 bilhões de crianças e cerca de 89% delas, só estudam. Ou seja, são sustentadas pelas famílias e as outras 2,5 milhões são frutos da desigual distribuição de renda.
Em 1996, o governo Federal criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), como uma forma de ajudar financeiramente as famílias dessas crianças, que precisam trabalhar. Os país são cadastrados no programa e recebem uma verba mensal para manter os filhos na escola. Eles também precisam participar de grupos sócio-educativos, onde desenvolvem alguma atividade de geração de renda, para não perder a ajuda.
Porém, segundo a assistente social Isabel Cristina Candido, o governo não investe nesses grupos educativos. “Só o dinheiro não basta, é preciso investir no trabalho de conscientização e profissionalização dessas famílias”. Ela trabalha no Ciclo de Trabalhadores Cristãos da Vila Prudente, um dos centros de educação, que também não recebe nenhum tipo de ajuda governamental.
No Ciclo, que atende 12 famílias por ano, além dos cursos de geração de renda, as mães do Peti também assistem a filmes, palestras e participam de dinâmicas e rodas de conversas. Nesses bate-papos as assistentes sociais discutem a questão dos papéis invertidos dentro da família. “Nós fazemos esse trabalho de conversar com as mães do Peti, para que elas possam entender que o pai e a mãe são os provedores. A criança tem que estudar, do contrário, toda a fase da infância se perdera no trabalho”.
Isabel garante que, apesar do processo e resultado demorados, os programas de conscientização desenvolvidos pelo Ciclo, são eficazes e ajudam no combate ao trabalho infantil “Mais do que dinheiro, essas orientações dão uma perspectiva de futuro”, completa a assistente social.

21 de agosto de 2009

1,2,3...rodando! Rodando, não...Ródando...






Há exatamente 20 anos, a geração paz e amor presenciou o calar de uma das vozes mais expressivas da chamada contracultura rebelde. Paradoxalmente, os jovens daquela época pediam paz, através dos gritos do rock and roll.
Assim também fazia Raulzito, apesar das críticas ao seu não engajamento, o baiano roqueiro cantou os sonhos daquela geração. Suas letras traduzem o espírito livre e despojado, ironizam as relações e atitudes da sociedade conservadora da época. Raul falou de amor, desigualdade, justiça, misticismo, religião...Viveu tudo em apenas sete notas!
Hoje, os gritos de liberdade ainda ecoam pela geração pós-Raul. Mesmo os fãs que nasceram após a morte do maluco beleza, vivem o sonho da Sociedade Alternativa. É impossível tentar racionalizar o que Raul trazia dentro de si. Como explicar a repulsa à inércia dos ditos cidadãos respeitáveis, que se sentavam nos tronos dos apartamentos, esperando a morte chegar? Ou então, a recusa de viver essa realidade e a vontade de pegar carona em algum disco voador e habitar o infinito e suas estrelas?
Não consigo explicar, o por que de minha identificação com letras, que foram escritas muitos anos antes de meu nascimento. Às vezes, a razão das palavras nos impede de explicar o que faz nosso coração bater mais forte. Por isso, fico por aqui!

13 de agosto de 2009

Se esse céu...se esse céu fosse meu!













Quem gosta de observar os astros, mas os verdadeiros, aqueles que esquentam nossos dias e iluminam nossas noites, vai ficar feliz em descobrir, que 2009 é o ano Internacional da Astronomia e vai vibrar mais ainda, quando saber que astrônomos do mundo inteiro reivindicam um céu noturno mais estrelado.
Todos eles lutam “em defesa de um céu noturno e pelo direito à luz das estrelas”. Para tanto, lançaram uma resolução na 27º Assembléia Geral da União Astronômica internacional, que se realiza até amanhã (14/08), no Rio de Janeiro. No texto, os astrônomos afirmam que “um céu noturno não poluído... deve ser considerado um direito sociocultural e ambiental fundamental.”
Receio, porém, que esses mesmos admiradores sentirão falta de algo ao descobrir, que se não fosse pela poluição luminosa, que estupidamente insistimos em conservar, poderíamos admirar cerca de duas mil estrelas.
Imaginem como seriam nossas noites? Mas infelizmente, nos contentamos em ver apenas 25 pontos de luz no céu. Irônico é descobrir que nossa galáxia, na Antiguidade, recebeu o nome de Via Láctea, justamente por parecer uma trilha de leite derramado no céu.
Conheça mais o céu...http://www.astronomia2009.org.br/
"Nenhum homem é uma ilha isolada em si(...). A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. Por isso, não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti".
John Donne

11 de agosto de 2009

Hoje

A dor e a desilusão fazem extinguir a essência da alma humana. O fio da esperança perde a forma e a utilidade, enquanto luta, para manter envolvidos os últimos suspiros da dignidade.
Como dizia Raul, é aceitável e humano vivermos nessa eterna metamorfose ambulante. Hoje confesso, que realmente o fio de esperança está perdendo sua utilidade, pelo meno para mim. Não posso prever até quando essa sensação dilacerante habitará minha alma, apenas peço perdão, por hoje, não acreditar na humanidade. Talvez daqui há alguns dias publique aqui, novamente, minhas crenças e esperanças num redescobrimento da verdadeira condição humana. Mas, por enquanto, registro aqui a silenciosa dor, que também corrói minha alma e existência. Nesse novo texto, não me proponho a falar com cada um de vocês, apenas me eximir da terrível culpa do ceticismo e do julgamento. Algumas coisas, simplesmente não fazem sentido, talvez nem mesmo essas palavras. Mas insisto na compreensão de vocês, meus amigos, pois realmente nada faz sentido!

5 de agosto de 2009


Parece ser preciso reinventar o mundo, criar outras pessoas e plantar novos corações. Livrar os inocentes, que esquecidos em lugares remotos e inpensáveis pelos donos do poder, pagam a conta pelo egoismo disseminado pelos quatro cantos do planeta. Há realidades que se confundem com a ficção. Parecem saídas da cabeça de algum escritor de Hollywood e chegam até nos, sem despertar absolutamente nenhum sentimento.
Ao ler a entrevista do Dr. Mohamed Yusuf é impossível não se revoltar e, mais uma vez, se questionar sobre nosso papel no mundo. Yusuf é médico do Hospital Medina, um dos poucos que funcionam em Mogadício, Somália. Na entrevista do link abaixo, o médico conta um pouco da rotina do hospital e das condições desumanas em que vivem os somalis. Boa leitura e uma melhor reflexão!

http://www.icrc.org/web/por/sitepor0.nsf/html/somalia-interview-190509