6 de junho de 2011

Vila Alpina tem albergue para acolher pessoas em situação de rua





Se não fosse pela placa com as inscrições Centro de Acolhimento, o Albergue Porto Cidadão passaria despercebido pelo olhares menos atentos. Quem cruza a esquina da Rua Iguará com a Costa Barros, zona Leste de São Paulo, se depara com um grande portão de ferro cinza. Lá dentro, as paredes brancas e o som tranqüilo de uma música de fundo ajudam a deixar o ambiente mais acolhedor.
As portas do Albergue Porto Cidadão ficam 24 horas abertas. Quem procura os serviços da casa, ganha produtos para a higiene íntima como sabonete, talco e aparelho de barbear, assim como um lugar para se banhar, lavar sua roupa e se alimentar. Por ano, o centro de acolhida da Vila Alpina atende 57 mil pessoas em situação de rua. “Diariamente, nós servimos 50 pratos na hora do almoço, além do café da tarde”, diz a diretora Shirley Maria. Além dos atendimentos durante o dia, os 21 funcionários do albergue trabalham para tentar suprir um pouco das necessidades dessa população durante a noite. “Ao cair da noite, eles começam a chegar, tomam banho, jantam e vão dormir. Na manhã seguinte todos acordam bem cedo, tomam o café-da-manhã e vão embora”, completa.
Porém, nem todos deixam a casa após os primeiros raios de sol. Aqueles que já não conseguem sobreviver sozinhos nas ruas, seja por motivo de doença, seja pela idade avançada passam o dia todo no albergue. “Hoje, cerca de 10 pessoas que moram aqui”, conta Shirley.
Além das necessidades básicas, como alimentação e um lugar decente para dormir, o Albergue Porto Cidadão também oferece outros tipos de serviços à população de rua. São oficinas de artesanato, palestras e discussões com as assistentes sociais, sobre variados temas e reuniões dos Alcoólicos Anônimos (AA).
Sentado em uma das mesas do refeitório, enquanto termina sua refeição, Sergio Daniel Navarro, 27 anos, fala sobre sua experiência na instituição. “Eu participo das aulas de artesanato e aprendi a fazer um tapete de tela e tecido. Gosto muito daqui, ocupo minha mente e converso com outras pessoas”, conta. Ele já freqüenta a casa há quase dois anos e diz que é fã dos pratos do lugar. “A comida é excelente”, diz.
No Albergue Canto Cidadão, toda última sexta-feira do mês tem festa. Em volta de uma mesa com bolo e brigadeiros, todos os usuários se reúnem e celebram mais um ano de vida dos aniversariantes da vez. Celso Aparecido da Silva está na instituição há duas semanas e já comemorou seus 25 anos com todos. Depois dos parabéns e de experimentar as guloseimas da festa, eles voltam para suas atividades. Enquanto uns vão para os quartos, outros assistem ao jornal na pequena televisão instalada em um dos corredores do lugar.
Com a ajuda de um amigo, Ademir Batista dos Santos, 59 anos, tenta concertar a fivela do cinto que usa todos os dias. Ele conta que depois do acidente que tirou os movimentos da sua mão direita, realizar atividades simples ficou mais difícil. “Eu trabalhava com fundição, carregava peças pesadas de ferro e agora, acabou tudo”, lamenta. Hoje, ele ganha a vida entregando panfletos na Rua Xavier de Toledo, região central de São Paulo.
Há cerca de cinco anos, Batista saiu de casa, deixando para trás sua esposa, quatro filhos e oito netos. “Eu tinha tudo e por causa da bebida, joguei tudo para o alto”, conta. Há seis meses no albergue, ele freqüenta as reuniões do AA e tenta passar os dias da melhor maneira possível. “Eu sou muito brincalhão, gosto de mexer com todo mundo, já acordo alegre. Não adianta ficar de cara amarrada, reclamando da vida, isso não vai me ajudar em nada”, diz.
O Albergue Porto Cidadão é fruto da Pastoral de Rua da Igreja Nossa Senhora do Carmo, na Vila Alpina. O trabalho começou com saídas durante a noite para levar pratos de sopa para as pessoas que estavam nas ruas. Hoje, a instituição recebe uma verba da Prefeitura para ajudar nas despesas e continuar com a missão daquele antigo grupo.

Um comentário:

antonio carlos Arruda disse...

PARABENS O CAMINHO VAI SE ABRIR MUITO MAIS PARA VOCEIS, JESUS VOS AMA POR ISSO
ACREDITEM O TEMPO CHEGOU