8 de julho de 2009

Talese e suas pessoas

Observar a grama de um estádio de futebol e lembrar do responsável por mantê-la sempre bonita. Ir a uma luta de boxe e não prestar atenção nos lutadores e sim no juiz. Como entender essa sensibilidade que aflora dos textos de Gay Talese? Essa capacidade de desviar o olhar para a imensidão do céu e reconhecer cada estrela? Quem me responde é o próprio Talese. “Eu me interesso por pessoas, estou disposto a dedicar meu tempo a elas”.
Em entrevista, quase palestra, realizada no MASP (Museu de Artes de São Paulo) o percussor do chamado New Journalism falou de pessoas, sem as quais jamais teria tantas histórias para contar. Ao longo de mais de 50 anos de profissão, Talese transformou vidas em poesia. Mais que observadores, seus personagens fazem História.
O jornalista também falou de seus colegas de profissão, de maneira incisiva criticou a falta de compromisso com a verdade e o pouco envolvimento da imprensa com suas pautas e fontes. Mas Talese afirma, que sua fé no bom jornalismo continua intacta.
O que também continua igual é o estilo de vida do escritor, ele caminha pelas ruas do bairro onde mora, não usa internet e não tem celular. Conversa com todo mundo que chama sua atenção, seja um pedinte ou alguém que esteja numa fila de liquidação. Diria, que é um jornalista a moda antiga, daqueles que vivem o romantismo e cumprem o papel transformador da profissão.

2 comentários:

João Luis Pinheiro disse...

O jornalismo praticado por Gay Talese é tudo aquilo que tento buscar, mas ainda não encontrei: contar histórias interessantes, de pessoas e coisas.
Parabéns pelo texto. Está ótimo.
Beijos
João

Ane... disse...

Ficou muito bom seu texto!Faço das suas as minhas impressões sobre Talese...
Que palavras como estas continuem a ser o nosso combustível na nossa empreitada jornalistica.
Bjos